Quique Dacosta em 3 texturas

Dividi a minha experiência com Quique Dacosta em 3 texturas, à laia de Chef: a fotografia, a técnica e a comida propriamente dita.

1ª textura: A fotografia, foi através do Instagram que tive o primeiro contacto com este Chef que conquistou 3 estrelas Michelin com o seu restaurante em Denia, na vizinha Espanha. Instagram: qiqedacosta.

2ª textura: Na sequência desse contacto e depois de ter lido algumas coisas sobre o seu trabalho, conheci-o pessoalmente no passado Domingo, no Peixe em Lisboa, durante uma  apresentação que fez da sua técnica e arte.

3ª textura: Hoje, no Belcanto, às 21h acontece o Jantar a Quatro Mãos com Dacosta e Avillez, onde alguns sortudos terão a oportunidade de saborear a sua arte.

Vou ficar-me pelas 2 texturas, pois ainda não é desta que vou provar os pratos estrelados. Desde a passada semana que o jantar está esgotado, sendo o valor do jantar 200€+bebidas.

Vou falar-vos um pouco da apresentação de Quique. O auditório Silampos do Peixe em Lisboa estava cheio e ainda se acrescentaram cadeiras. As caras conhecidas estavam lá todas, ou quase todas, o que só por si atestava a importância do orador: o Chef Luis Baena, Avillez, Kiko, Justa Nobre, André Magalhães, Marlene, João Sá, entre bloggers e jornalistas.

Quique começou por perguntar quantos dos presentes tinham ido ao seu restaurante. Apenas 8.  E depois afirmou que podíamos ir ao restaurante dele, pois as reservas não estava esgotadas por um ano, brincando com o que acontecia no saudoso El Buli.

Este hipster da alta cozinha, de camisa assinada e porte fashion, é um comunicador nato, simpático e cordial.

Quique Dacosta no Peixe em Lisboa

Quique Dacosta no Peixe em Lisboa

Apresentou os seus pratos estrela, lindos, todos eles com um look natura, fresco, quase sempre em tons verdes e brancos. Falou de técnica , técnica e técnica. Estão a ver a dieta do Paleolítico? Não tem nada a ver. Aqui entra peixe sai chouriço. Cozedura em vácuo, em gelo, emulsões, gelificações e tantas outras coisas que me escaparam, pois perdia-me na parte visual e nas cores dos empratamentos.

Quique dizia com graça: “Nós matamos os bichinhos mas com muito carinho!” enquanto explicava a técnica de fazer as enguias: “Pomos as enguias em àgua e acrescentamos cubos de gelo e elas ficam anestesiadas, quase imóveis, mas ainda vivas, depois com a faca começamos a filetá-las...

Depois falou da utilização de novos ingredientes, alguns que vai conhecendo nas viagens que faz com a sua equipa pelo mundo fora, como o placton. Deu a provar a toda a audiência. De cor esverdeada, faz lembrar o sabor intenso das canilhas ou o odor da comida para peixe. Referiu que custa cerca de 700€ por kg!

Durante uma hora de apresentação não se ouviu um telemóvel a tocar nem conversas paralelas. Quique anestesiou completamente a audiência sem recorrer a gelo.

E eu, que não me considero uma foodie fanática de gastrostars, fiquei inspirada. Não pelas técnicas que nunca irei aplicar, nem pelos pratos que talvez nem venha a provar mas pelo génio criativo, pela capacidade de transformarmos o que nos rodeia em algo diferente, quase sempre melhor .

Seres criativos estimulam sempre a criatividade nos outros e foi isso que encontrei nesse dia.