Packaging, Ilustração
holy fish
Holy Fish nasceu de um briefing simples mas ambicioso: criar de raiz uma marca de conservas portuguesas para exportação, com identidade própria e com uma imagem disruptiva das restantes marcas da sua categoria . Numa primeira fase ser bastante apelativa no universo digital, onde o packaging precisava de ser impactante para um público foodie habituado a navegar em plataformas de e-commerce, e mais tarde, destacar-se nas prateleiras ao lado das restantes marcas da sua categoria.
O cliente queria uma marca que falasse a esse consumidor exigente sem recorrer aos imaginários craft e tradicionais que dominam nas embalagens desta categoria. O desafio era criar uma imagem simultaneamente irreverente e coerente, uma nova linguagem visual para as conservas portuguesas no mercado externo.
O ponto de partida foi uma constatação: a religião é o maior sistema de comunicação visual e emocional da humanidade. Durante séculos moldou imaginários, criou símbolos e estabeleceu uma linguagem que todos reconhecem — mesmo quem não é crente. E nunca desapareceu. Transformou-se em cultura pop. Madonna, FKA Twigs, Dolce & Gabbana, e muitos outros beberam desta energia para criar algo simultaneamente irreverente e transcendente. A Holy Fish faz o mesmo: apropria-se do sagrado para elevar o quotidiano. Uma lata que não é só comida, mas uma peça de cultura.
Madonna @ Vanity Fair 2023 O nome foi o primeiro grande insight. Holy Fish é uma interjeição. "Holy fish! This is so good!" e que funciona como reação genuína ao produto e como manifesto da marca ao mesmo tempo. O lema "Proof that miracles come in tins" estabelece o tom: irónico, confiante, com flair. Os nomes das receitas completam o sistema narrativo: Gold Salvation, Divine Drop, Red Indulgence, Infernal Bite, Habemus Tuna, Sacred Smoke. Não são nomes de produto, são adjetivos diretos da experiência de comer. Uma sardinha pode ser tão boa que parece um milagre, ou tão deliciosa que se torna uma tentação. Esta tensão entre o sagrado e o pecaminoso transforma cada lata numa experiência antes de ser aberta.
A decisão mais radical foi o design all-type. Numa categoria dominada por ilustrações de peixe e referências visuais tradicionais, a Holy Fish não mostra nada: diz tudo. Esta escolha evita qualquer associação a uma religião específica, mantendo o conceito num território universal, e cria blocos de cor que funcionam como objetos gráficos autónomos — tão atrativos em fotografia de produto como em prateleira. A referência estética vem da moda: o barroco e o rococó reinterpretados por designers de moda, e a teatralidade que transforma um objeto de consumo num objeto de desejo. A impressão em CMYK com aplicação de Pantone neon no logótipo foi uma decisão técnica precisa, já que o neon não é um detalhe decorativo, é a assinatura que garante que a Holy Fish se distinga mesmo nos contextos mais saturados visualmente.
Resultados
A Holy Fish está agora mesmo a entrar no mercado, com lançamento inicial em e-commerce. A marca foi construída de raiz para criar disrupção, e a embalagem é o seu primeiro e mais poderoso argumento.

